LIVRO 7

O livreiro Tarcísio Pereira, nascido em Natal (RN), migrou para Recife onde fundou a Livro 7 (Foto), um projeto pioneiro e revolucionário no Brasil. Com suas sete filiais, a livraria deteve 70% do mercado de livros do Nordeste. Entre elas, estava a loja do Centro de Maceió, aberta em 1977, na Rua Cincinato Pinto, n. 143.  

A dedicação de Tarcísio ao ramo de livraria, de tão intensa, fez com que ele envolvesse no negócio sua irmã Maria Suely Fernandes Pereira, que era seu braço direito, e seus irmãos Amaro Ricardo Fernandes Pereira e João Maria Fernandes Pereira. Eles ajudaram Tarcísio a consolidar o nome da Livro 7 e, juntos, foram reconhecidos pela mídia nacional como uma família ligada aos livros (foto). Anos depois, Suely e seu esposo Murilo Alves abriram a Livraria Síntese, em Recife, João e Ricardo, a Livraria Caetés e, em seguida, Ricardo inaugurou a Estação do Livro, ambas em Maceió.

Em Recife, a matriz da Livro 7 funcionou na rua Sete de Setembro, em três pontos diferentes: numa loja pequena localizada no n. 286 (1970-1974), mudando-se para o casarão de n. 307 (1974-1978), até alcançar o galpão (Foto) do n. 329 (1978-1998). 

Formada por seções de livros, discos (Disco 7), salão de artes, praça de leitura, anfiteatro e o Bar 7, a livraria se transformou num grande shopping cultural, o primeiro do país. Chegou a possuir uma linha própria de cartão de crédito, a Credi 7, com 60 mil clientes cadastrados, e outras formas inovadoras de atendimento fidelizado e personalizado.

Antes da abertura da loja em Maceió, Tarcísio vinha de Recife de kombi trazendo as novidades literárias que eram negociadas na Praça Sinimbu, no Centro. Dessas idas e vindas, veio a ideia de montar o negócio num local fixo da cidade. A filial, gerenciada por Valfredo Bernardo de Sena, seu funcionário de confiança, buscava reproduzir o formato da matriz, mas em proporções físicas menores. 

O casarão alugado na rua Cincinato Pinto abrigava os livros de Ciências Humanas, Letras e Artes, organizados em mobiliários de fácil acesso, o que era uma quebra de padrão no design de interiores das livrarias do período. A eliminação completa dos balcões dava autonomia aos leitores para escolher e folhear as obras de maneira vagarosa. 

Os responsáveis em manter as estantes sempre abastecidas de títulos eram seus irmãos João e Ricardo que traziam os livros de Recife e, de vez em quando, davam um apoio na loja. João, inclusive, tinha participação como sócio minoritário da empresa. 

A movimentação na loja era constante, seja para adquirir obras, lançar produções literárias ou participar das rodas de conversa. O lema adotado pela livraria era “se eu for à Livro 7, eu encontro”. Autores como Sidney Wanderley, Rosalvo Acioli e Marcos de Farias de Costa estavam entre seus clientes assíduos. 

Um dos lançamentos badalados da época foi o livro De todo coração, da condessa de Paris Isabel Orléans e Bragança, neta da princesa Isabel e bisneta de Dom Pedro I.

Além dos encontros e lançamentos de livros, a programação cultural da livraria contemplava exposições de arte, apresentações musicais e campeonatos de xadrez. Aos sábados, os clientes disputavam o concorrido espaço do seu café, atraídos pela famosa batida preparada pela mãe de Tarcísio, dona Luzia Fernandes Pereira. 

Em 1984, após a decisão de João Maria de morar em Alagoas e deixar a sociedade da Livro 7, chegava ao fim as atividades da filial na capital. De posse do acervo de livros e do mobiliário da loja de Maceió, recebidos como legado pela sua dedicação ao projeto, João fundou a Livraria Caetés e, junto com seu irmão Ricardo, deram continuidade à tradição familiar de paixão pelos livros. 

A matriz da livraria em Recife fecharia suas portas mais de uma década depois, em 1999. Mas a herança deixada pela Livro 7 no comércio de varejo de livros do estado nunca se apagou, a de ter transformado a livraria numa extensão da vida cultural de seus frequentadores. 

FONTE: Depoimento dado por João Maria Fernandes Pereira a Simone Cavalcante, em junho de 2026/ Informações e fotos extraídas de Tarcísio Pereira – todos os livros do mundo, de Homero Fonseca. Recife: Cepe, 2022./ Foto de Tarcísio junto aos irmãos extraída de edição da Revista Veja.