Bibliotecas de Alagoas

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A proposta de uma biblioteca é ser um espaço pluricultural e educativo voltado à leitura de livros, estudo, formação, convívio social e encontro de saberes. Alagoas possui centenas de bibliotecas nas modalidades pública, universitária, comunitária, escolar, ressocializante e volante, que adotam ou buscam alcançar essas funcionalidades. Para cumprir sua finalidade social, elas dependem do trabalho de bibliotecários/as, educadores/as e contadores/as de histórias, dedicados à construção do hábito de ler, e da presença de um leitorado cativo, formado por crianças, jovens, adultos e idosos.

Esses profissionais utilizam uma variedade de estratégias para transformar os ambientes de mediação de leitura em lugares de escuta, conversa e aprendizagem mútua, capazes de acolher e estabelecer laços de afeto com seu público. Até mesmo naquelas situações extremas, como a baixa oferta de livros, elas e eles emprestam sua voz, seu corpo e seus gestos para compartilhar poesias e histórias que façam a leitura acontecer. É de uma coragem quixotesca enfrentar os desafios de socializar leituras diante de uma realidade preocupante.

Alagoas ainda ocupa os piores lugares nas pesquisas sobre leitura e alfabetização no Brasil. Com práticas leitoras abaixo da média nacional e 14,2% da população com 15 anos ou mais sem habilidades para ler e escrever, o estado lidera em analfabetismo e ocupa as piores posições nos índices de leitura. Os problemas incluem também a distribuição desigual de bibliotecas, com muitos municípios descobertos e uma alta concentração na capital Maceió, além da baixa contratação de profissionais bibliotecários e da carência nas condições físicas e materiais dos espaços de leitura.

Desde o período de abertura democrática, houve avanços significativos nas políticas e legislações federais sobre livro, leitura e literatura no Brasil. Uma das conquistas veio com o aumento na oferta de acervos pelo Ministério da Educação por meio dos programas de distribuição de livros, como PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola) e PNLD Literário (Programa Nacional do Livro e do Material Didático). Ao ser contemplada com esses acervos, a gestão de educação e cultura dos municípios e estados tiveram de instalar novos espaços de leitura para recebê-los. Como resultado, a maioria das bibliotecas existentes hoje em Alagoas atua na modalidade escolar.

Outra conquista da área foi a aprovação da Lei n. 12.244/2010 sobre a necessidade de universalização das bibliotecas escolares em todas as instituições de ensino públicas e privadas do país. O prazo limite para a implantação expirou, em 2024. Mas até o momento mais de 70% das escolas públicas alagoanas ainda não possuem bibliotecas. Ou seja, das mais de 2 mil escolas da rede pública, apenas 552 ofertam esse serviço à comunidade estudantil.

Enquanto a ideia de bibliotecas para todos não é alcançada, indivíduos e entidades buscam caminhos de superação desses índices e afirmam, com suas práticas cotidianas, o valor da biblioteca como um bem cultural comum e a leitura como um direito inalienável.

O aumento na criação de bibliotecas comunitárias no estado aparece como uma das respostas da sociedade à lentidão e omissão do poder público. De outro lado, ações de órgãos de fiscalização e controle ajudam a verificar a existência, condições físicas e conformidade dos espaços e seus acervos. Iniciativas da sociedade civil em ruas, praças, escadarias, quintais e garagens vêm promovendo a oferta e difusão cultural de livros e textos da oralidade. Espaços de leitura alternativos como bibliotecas e salas de leitura particulares, projetos literários volantes, clubes de leitura e eventos poéticos como rap, slam, embolada e sarau poético consolidam-se como táticas insurgentes de mobilização cultural e envolvimento literário das comunidades.

Cada passo dado em direção à universalização das bibliotecas parece nada diante da velocidade de informações dos novos tempos. Alagoas parece ter percorrido alguns quilômetros na passagem pelo túnel escuro do analfabetismo e do acesso aos livros. Dá até para ver um ponto de luz adiante, mas o caminho longo ainda possui muitos obstáculos a transpor.

Fontes de pesquisa: Censo Escolar (2022), do Ministério da Educação (MEC); Ministério Público do Estado de Alagoas; www.bibliotecas.al.gov.br; Retratos da Leitura no Brasil; mídias sociais das bibliotecas.