BATALHA DE RIMA

O Hip Hop, surgido em 1970, no Bronx, bairro de Nova York (EUA), tem origem nas inquietações de jovens migrantes de diferentes países da África e da América Latina. Durante os encontros de Rap do Hip Hop, que podem ser ou não competitivos, os MCs desenvolvem suas performances poético-musicais, como acontece na cena do documentário Entre rimas e improvisos − as batalhas de rap em Alagoas, dirigido por Delanisson Araújo.

Em Alagoas, as primeiras manifestações do Hip Hop ocorreram nos anos 1980 e 1990, com a atuação de artistas e grupos moradores de bairros como Vergel, Santo Eduardo e Benedito Bentes, a maioria da periferia da capital Maceió, e do interior, com destaque para União dos Palmares. 

Depois surgiram as posses, uma espécie de fundação cultural coletiva realizadora de eventos, oficinas e reuniões, como a Posse Atitude Periférica (PAP), Guerreiros Quilombolas, Movimento Hip Hop Palmarino (MH2P) e Coletivo Cia Hip Hop. Entre os artistas precursores do Estado estão os MCs Ari Consciência (Ari de Oliveira), Ace Rick, Paulo DJP (Paulo Zacarias da Silva), Invasor (Bruno Leonardo), Mano Gill, Fantasma e Zulu Fernando.

Nas batalhas de rima, a poesia é improvisada na modalidade Free style, na qual as rimas fluem em estilo livre, sem competição; em forma de Batalha de rima, confrontos competitivos que exigem rapidez e habilidade no uso da criatividade, do improviso verbal e do carisma com o público; e no formato de Batalha do conhecimento, no qual os competidores não se atacam e fazem suas rimas a partir de temas pré-definidos. 

Os desafios poéticos acontecem de modo tradicional, com dois rounds de 45s para cada pessoa; bate e volta, no qual cada poeta declama uma poesia de quatro linhas; e kick back, com cinco trocas de quatro linhas, na qual um MC lança uma pergunta e o outro responde nas três linhas restantes. No final das cinco perguntas, o MC que perguntou passa a responder.

As batalhas de rima são julgadas por vários critérios de avaliação. Podem ser considerados aspectos como métrica, rima, dicção, estética, presença de palco e flow, forma como a letra da poesia é encaixada com o ritmo e a cadência no instrumental (beat) da música, para o alcance da melhor fluidez sonora.

Durante as batalhas, a comissão de jurados fica atenta à qualidade dos versos de ataque que não devem abordar conteúdos de ódio, homofobia, misoginia e discriminação. As melhores apresentações são premiadas por meio de apoio de patrocinadores, de financiamentos coletivos (crowdfundings), ou de recursos próprios das posses e dos coletivos.

Em Maceió, as primeiras iniciativas foram a Batalha Marginal (2011), organizada por Diego Verdino, e as edições da Batalha Samurai, de 2013 a 2015, no Henrique Equelman, conjunto do bairro do Tabuleiro do Martins, com a participação do MC Ayres.

O ano de 2015 marcou a criação da Batalha do Formigueiro, ocorrida na Praça da Formiga, no Benedito Bentes, e da Batalha do Banks, na Praça do Skate, na Ponta Verde. Em 2017, foi criada a Batalha do Jaça, na Praça Xisto Gomes de Melo, por Jiray, e a Batalha da Guild, na Praça do Mirante, pela MC Alice Gorete, ambas no Jacintinho. Depois vieram, a Batalha PST, na Praça Santa Tereza, localizada na Ponta Grossa, a Batalha das Minas, no Bom Parto. Em Arapiraca, destaca-se a Batalha do Bosque.Vários MCs ocupam a cena atual em Alagoas, como Alex NSC, Alice Gorete, Akira, Tribo, DeMennor.k, Saci, Guedxs e Melanina. O movimento se fortalece também com a presença de artistas-produtores. Entre os quais, estão o MC Zazo, com seu trabalho de documentação visual do Hip Hop; e a MC Alyne Sakura, atuante comunicadora popular, à frente do Blog da Sakura e do programa Conexão Periferia, e ativista pelo protagonismo feminino dentro do movimento. 

Além disso, ressalta-se o papel da Roda Cultural Batalha PST, do coletivo Rapem, formado pelos MCs Freelipe, Klebin, Akira e Menny, do coletivo Nois Q Faiz, liderado por Diego Verdino, com seus eventos N´Agulha e Batalha Marginal, e os encontros ocorridos no Quintal Cultural, espaço coordenado pelo poeta e cantor Rogério Dyas.

FONTE: Depoimento dado por Diego Verdino a Simone Cavalcante em outubro de 2024. /Imagem do filme Entre rimas e improvisos – as batalhas de rap em Alagoas. Disponível em: www.youtube.com/watch?v=qUf02Lif7Bc.

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