LIVRARIA E TIPOGRAFIA COMERCIAL

A Livraria e Tipografia Comercial (1899-1913) estava localizada na Rua do Comércio, n. 21, no Centro de Maceió. Nos primeiros anos, funcionava apenas como tipografia gerenciada pelo tipógrafo Manoel Joaquim Ramalho. Depois agregou os serviços de livraria após uma associação entre os interesses de Ramalho e de Antonio Martins Murta, um comerciante e coronel da Guarda Nacional. 

Nascia assim a sociedade M. J. Ramalho & Murta que levaria adiante os negócios da Livraria e Tipografia Comercial, assim como os serviços do antigo Bazar Enciclopédico (1893-1899), que foram absorvidos pelo setor de papelaria da tipografia. A papelaria funcionava em outro endereço, na Rua Boa Vista, n. 47, fazendo o comércio de papéis e encadernações. 

O comércio de livros da Livraria e Tipografia Comercial era voltado para várias áreas do conhecimento, para atender a diversidade de interesses da clientela. Um dos trabalhos de grande circulação da livraria foi o Indicador Geral do Estado de Alagoas (1902), organizado pelo historiador Craveiro Costa e o escritor Torquato Cabral, que foi impresso na prensa tipográfica da empresa. 

Em literatura, era dado, além disso, espaço para a circulação de obras locais, entre eles o Livro de sonetos, do alagoano Fernando Mendonça (1921), e títulos estrangeiros, como os romances Ivanhoé, de Walter Scott, Dom Quixote de La Mancha (1905), obra completa em 3 volumes, e o Os noivos, de Mazoni (1905), publicado em dois volumes. 

Alguns livros continham reflexões filosóficas sobre a natureza humana e exploravam temas de religião e filosofia. Confissões de Santo Agostinho, escrita no século IV, era um das obras clássicas procuradas pelo leitorado da livraria. Outros títulos expressavam os valores morais da época, como é o caso de A dona de casa, que continha princípios normatizadores de economia doméstica e cuidados e preceitos de higiene com a casa e os filhos.

Nessa época, o segmento literário para infância no Brasil vivia um momento efervescente com a tradução e adaptação de contos tradicionais europeus. Sintonizada com essa demanda, a livraria importava obras de grande aceitação do público infantil, entre elas, Contos para crianças, de Maria P. Figueirinhas (1905), uma famosa educadora, escritora e tradutora portuguesa. 

FONTE: Recorte de jornal extraído do jornal Gutenberg, Maceió, 22 de agosto de 1903, disponível na hemeroteca digital de bndigital.bn.gov.br./TICIANELI, Edberto. O histórico livreiro Manoel Joaquim Ramalho e a sua Casa Ramalho. Disponível em: www.historiadealagoas.com.br.