EDIÇÕES CATAVENTO

Em 1999, foi criada a Edições Catavento por Leda Almeida (à esquerda), Dislene Costa Neves (centro) e Simone Cavalcante (em pé) após o desligamento delas da Editora da Universidade Federal de Alagoas (Edufal), onde atuavam, respectivamente, como diretora, assessora e estagiária.

A primeira sede da Catavento foi aberta na Rua Gaspar Ferrari, n. 104, no bairro da Ponta Verde em Maceió. Depois a editora atravessou reformulações no seu quadro societário, e foi transferida para a Rua Valdo Omena, n. 332, no mesmo bairro, a convite da Livraria e Café Ponto Central e, por último, fixou-se no bairro da Gruta. Nesta última fase, a editora funcionou sob a direção executiva de Lucas Almeida de Lopes Lima, até seu encerramento em 2012.

Em sua linha editorial, predominavam os textos das áreas de Ciências Humanas, Letras e Artes. Os livros avulsos ou sob o formato das coleções Clássicos de Alagoas e Pequeno Dicionário abordavam temas de literatura, educação, história, medicina, política, religião, psicologia e esporte. Essa diversidade de áreas foi alcançada por meio de uma rede de relações sociais e culturais construída pela editora com escritores, estudiosos, políticos e intelectuais, alguns deles de referência no seu campo de atuação.    

O cotidiano de trabalho da editora se dividia nas funções de coordenação editorial, direção executiva, design e divulgação, com o apoio de serviços prestados por ilustradores e estúdios de design alagoanos. Entre os artistas mais requisitados estavam Tiago Amaral, criador do logotipo da empresa, Iuri Ávila e a agência Pró-design.

Dentre os diferenciais do processo de edição em relação às gráficas até então existentes estava a atenção dada ao tratamento do texto e à valorização da imagem social dos autores e autoras. Em primeiro lugar, vinha a tarefa de leitura crítica para sugestão dos possíveis ajustes nos originais. Depois o texto era submetido à diagramação e impressão. A última etapa envolvia o trabalho de assessoramento na organização e divulgação do lançamento dos livros.   

O catálogo da Catavento dedicava um olhar especial aos gêneros de poesia, ficção, literatura para infância e Histórias em Quadrinhos (HQ). Alguns livros foram contemplados no I Festival Literário de Alagoas (1999), promovido pela editora. Foram premiadas as obras estreantes para infância A menina impossível, de Luciana Fonseca (no centro), e Janjão – o dinossauro comilão, de Cleo Soares (à direita), e os títulos poéticos O reflexo e a sombra, de Paulo Deo e Onde a vida fere mais fundo, de Maurício de Macedo.

A Catavento foi uma das primeiras editoras alagoanas a transpor numa linguagem acessível para o segmento infantil temas da história e da cultura local, prática iniciada com o lançamento de A história de Maceió para crianças, de Leda Almeida e Sandra Lira, que alcançou recordes de reedição e adoção em escolas. 

Nessa vertente também circularam A cultura alagoana para crianças, de Lúcia Almeida e Simone Cavalcante (2000), e as HQs A história de Alagoas em quadrinhos (2001) e O que é Maceió? – a história em quadrinhos da capital de Alagoas (2003), ambas escritas por Douglas Apratto e Leda Almeida, com arte visual, respectivamente, de Tiago Amaral e Enio Lins. 

Os livros impressos, na maioria das vezes, em São Paulo, eram lançados sempre em associação a uma programação artística e cultural. O artista Nelson da Rabeca foi o convidado especial da noite de autógrafos do livro Marechal Deodoro – um itinerário de referências culturais, de Josemary Omena Passos Ferrare, ocorrido em 2002 na Livraria e Café Ponto Central.

Com um catálogo formado por mais de 500 títulos, a Catavento conquistou uma posição de engajamento no meio cultural alagoano, assim como projetou seu nome em alguns estados do nordeste. 

A editora publicou títulos de referência em Alagoas, como Formação histórica de Alagoas, de Dirceu Lindoso, e Cultura e educação nas Alagoas, de Elcio Verçosa (foto abaixo). Ao cruzar as fronteiras geográficas, lançou a obra Nordestino: uma invenção do falo – Nordeste 1920/1940, do paraibano Durval Muniz de Albuquerque Júnior; assim como os livros de autoria sergipana: Transposição das águas do São Francisco: agressão à natureza x solução ecológica, de João Alves Filho, Brefáias e Burundangas do folclore sergipano, de Carvalho Déda, Um olhar sobre Sergipe e Lendo a literatura sergipana, de Josefa de Menezes. 

Em 2002, a editora projetou seu catálogo com a publicação do romance Ninho de cobras, do escritor Ledo Ivo, incluído na sua coleção Clássicos de Alagoas. Numa articulação entre a editora e o autor, o lançamento da obra ocorreu na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro.

A Catavento realizou várias iniciativas no intuito de contribuir com a vida cultural da cidade. Na área de publicação, editou dois números da revista Cultura em movimento sobre temáticas da literatura, educação e realidade cultural alagoana. 

Com as preocupações de criar espaços de circulação e valorização simbólica do livro, organizou mais de uma edição de saraus poéticos, envolvendo escritores, escritoras e declamadoras locais. Organizou a campanha de incentivo à leitura Ler é a melhor viagem e instituiu o Prêmio Catavento de Cultura, em reconhecimento a pessoas de referência no meio literário alagoano. Assim como articulou vários debates com autores, autoras, intelectuais e dirigentes políticos.

FONTE: Acervo pessoal de Simone Cavalcante.