CASA TRIGUEIROS

A Casa Trigueiros foi o nome como ficou conhecida a Lithographia P. Trigueiros & C., fundada em 1885, que funcionou, nos anos iniciais, na Rua do Comércio, 45. Os serviços de edição e impressão da empresa eram conduzidos por Apolônio Protásio Trigueiros, um desenhista e gravador baiano que adotou Maceió como sua segunda cidade.

Os materiais e insumos, como papéis e tintas, empregados na produção dos impressos e das publicações editoriais da Casa Trigueiros eram importados de países como Alemanha, Itália, Paris e Nova Iorque. 

Em pouco tempo, a Casa Trigueiros tornou-se uma referência em Alagoas na impressão de imagens. Para aperfeiçoar as técnicas de impressão gráfica, Protásio Trigueiros visitou, em 1904, cidades da França e Alemanha e, de volta a Alagoas, inseriu nos fluxos de produção novos recursos como a cromo-litografia e os clichês e negativos tipográficos.

A maioria das produções da Casa Trigueiros ocorriam pelo processo litográfico, que utilizava a pedra como suporte de impressão. O anúncio divulgado em 1891, no Jornal Cruzeiro do Norte, confirma o pioneirismo no uso da tecnologia, sendo a única litografia do Estado. Além disso, eram também oferecidos serviços de impressão tipográfica, com tipos móveis e, mais tarde, em 1917, de zincografia. 

Da oficina gráfica, saíam vários impressos: recibos, rótulos de produtos, músicas de piano, diplomas, bilhetes e livros. Os serviços atraíam uma clientela formada por órgãos públicos, comerciantes e autores locais. O documento oficial Mensagem dirigida ao Congresso alagoano pelo bacharel Euclides Vieira Malta teve quatro edições, nos anos de 1907, 1908, 1911 e 1913. Com sua habilidade artística, Protásio também ofertava desenhos de plantas arquitetônicas de edificações e estradas de ferro, com o emprego de técnicas a óleo, crayon e bico de pena. 

A editora imprimiu uma diversidade de publicações. Em 1905, publica o romance A heróica alagoana, de Domingos Barbosa, como também mais de uma edição da Revista Alagoas ilustrada (1933). 

Uma das tendências do meio era a impressão de partituras de música. Entre as peças publicadas pela Casa Trigueiros estavam as valsas Recordações de Bebedouro (1908), de Abdon Lyra; Amor de estudante (1916), de Edilberto Trigueiros, com letra de Evandro Balthazar, apresentada no Politeama baiano durante a festa da primavera; e Gotas de luz (1921), composta por Alfredo Gama com letra escrita por Jayme de Altavila. 

Uma das principais realizações dessa casa editora foi a materialização das obras de Jorge de Lima. A partir da edição e impressão dos livros O mundo do menino impossível (1927), Poemas (1927) e Essa negra Fulô/ Banguê (1928), a trajetória literária do poeta alagoano conquistou projeção nacional. A Casa Trigueiros era sempre citada nos textos críticos a respeito desses livros divulgados em jornais de grande circulação do país. 

Em 1933, a Casa Trigueiros muda de dono e passa a ser gerenciada por Severino Garcia de Medeiros. Neste ano é lançado o Mapa do Estado de Alagoas, desenhado por José Paulino e impresso em cores em papel pergaminho.

FONTE: Jornais antigos disponíveis em bndigital.bn.gov.br/ Revista do Arquivo Público de Alagoas, Ano 2, n. 2, dez. 2012, Maceió, Arquivo Público de Alagoas, 2012.