Luana Teixeira

Luana Teixeira

Florianópolis, SC (1982)

BIO

Escritora, professora, historiadora e produtora cultural. Escritora atuante em várias linguagens – contos, poemas, videopoemas –, com planos de escrever romances. No processo de criação, brinca com as inspirações, mas tem na relação com as crianças, por meio da literatura para infância, o seu maior entusiasmo. Em outros momentos, realiza pesquisas sobre história, trabalha como professora e gestora cultural. Escreveu vários livros não literários: Patrimônio arqueológico e paleontológico de Alagoas (2012), Negócios da escravidão em Alagoas (2017), Trajano Margarida: poeta do povo (2019) e as cartilhas com temas de meio ambiente, publicadas em 2019, A praia é nossa, o lixo é seu, Eu também sou natureza e O sonho do sete cores.

ESCRITOS

POESIA

Poemas de rodoviária (2008). 

LIVRO PARA INFÂNCIA

O que só as minhocas podem ver? (2011); 

Caramboleira (2011); 

A Minhoca Xinoca e a canoa de Tolda (2013); 

Cadê a manchinha que estava aqui? (2017); 

Maria Bola, olha a chuva! (2025). 

CONTO

Escritores contemporâneos de Alagoas (2017, contos O caju e Alarme).

Desembarque de escravizados

Na costa avistam-se os navios.

Atravessados do Atlântico sombrio.

Humanos, posto que mercadoria

desembarcarão na noite quente.

Maltrapilhos, entulhados.

Toda homulher quebra no traslado.

Despojos da viagem de além mar.

Máquina de triturar gente.

Os botes vão ávidos ao convés.

Cartolas estúpidos coronéis.

Combustível chegando pro fogo

dos engenhos da floresta tropical.

Ipioca, Peba, no Trapiche,

Pedras, Barra do Camaragibe.

Tristes portos de chegada nessa terra.

Cana é chicote no peito com sal.

A cena tão real quanto moderna.

O gérmen da maldade prolifera.

Fera humana que escraviza e violenta.

Não hesita em nos jogar vivos no mar.

Correm tempos, correm, correm

Os dados ainda giram na taberna.

A roda da história não se encerra.

Há tempos que os ventos hão de virar.

{poema publicado na revista Febre do rato, de Maceió, em 2022.)

Sentir-se

Que dificuldade há

em sentir-se livre?

Há o corpo que inflama.

O homem que explora.

O estômago que ruína.

A voz que não alcança.

O desejo que aprisiona.

O poder que dilacera.

A volúpia que engana.

Assim sigo sonhando

em ter esse gostinho

simplesmente

de voar em dia claro

de chorar sorrindo

de amar pra toda vida

e ser ainda criança.

{ o poema recebeu o prêmio de segundo lugar em concurso de poemas da Revista Multiverso em 2024)