Wado

Wado

Florianópolis, SC (1977)

BIO

Jornalista, compositor, cantautor, ilustrador, artista plástico. Wado é o nome artístico de Oswaldo Schlikmann Filho, radicado em Maceió desde os oito anos de idade. Ele é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas. Seu estilo musical possui influências do samba, do rock e inúmeros representantes da MPB. Gravou os álbuns musicais Manifesto da arte periférica ( 2001), Cinema auditivo (2002) e Farsa do samba nublado (2004), Terceiro mundo festivo (2008), Atlântico negro(2008), este último possui duas faixas com trechos do escritor moçambicano Mia Couto, seu parceiro no álbum. Realizou várias apresentações em festivais e eventos regionais, nacionais e internacionais. Em meados de 2005, junto com os Alvinho Cabral e Marcelo Frota, colaborou na formação do grupo Fino Coletivo, uma banda premiada na qual atuou por alguns anos até optar por sua carreira solo. A poesia é presença constante nas suas composições musicais. Em O caderno de anotações, ele reúne reflexões aleatórias que se tornaram músicas antes de serem publicadas em formato de livro. Nela estão reunidas aforismos, letras de canções mudas e poesias.

ESCRITOS

POESIA

Água do mar nos olhos (2018);

Caderno de anotações (2018). 

LIVRO PARA INFÂNCIA

A Ilha de Laura (2015, ilustrações).

Hugo

Hugo Chávez no telhado sentado ao lado da chaminé 

alheio à trapaça, 

os braços cruzados sobre os joelhos, 

e não é sempre que se enche a lata de socializar a ditadura. 

O erro é o frescor da novidade

Luvas postas, meia pensão: Hotel e gasolina por minha conta.

Nunca esqueci o cheiro da cidade onde nasci. 

E são os olhos no corpo o que nunca envelhece. 

Essa pedra que turva nossas águas 

Esses anos que sertanejam nossas pálpebras, 

Rostos de fruta passa, uva-passa, banana-passa, 

Craquelam e correm pouquíssimas águas. 

Chupa a fruta até murchar 

Engole o caroço e machuca a goela. 

E caem como os tacos depois da bola de boliche. 

Caem como galinhas depois da espuma sufocante. 

Caem como crânios de vaca depois do martelo. 

Satisfazendo apetites, saciando fome. 

Deitam como as moças depois de casar 

Fodidas com força. 

Mastigados como a carne pelos dentes. 

Digeridos e expurgados, alegrando o chão que viceja verde. 

Corre por fora o azarão sortudo. A terra.