Madson Costa

Madson Costa

Arapiraca, AL (2004)

BIO

Escritor, colunista e professor de idiomas. Com Os meninos da Parte alta, seu livro de estreia, foi um dos ganhadores do Prêmio Diversidades Literárias, na categoria obras inéditas, e do Prêmio Literário Ladislau Netto, na categoria obras já publicadas, em 2024, além ter alcançado o 2º lugar com seu poema Terra de sois, no Prêmio Diversidades Literárias, em 2020. Já foi selecionado para diversas antologias poéticas. Dedica-se à revisão de textos, ao ensino de idiomas e ao estudo das relações jurídicas, raciais e culturais no espaço brasileiro, em busca de compreender o impacto do negro dentro das instituições sociais de poder. Escreve para os veículos de comunicação 082 notícias e Revista Alagoana. Fala inglês, francês e espanhol, assim como se interessa por filosofia, história e literatura. Participou como um dos escritores convidados do Vamos Subir à Serra, um dos maiores eventos de cultura negra do Nordeste, em 2021, e da Bienal do Livro de Alagoas, em 2023.

ESCRITOS

POESIA

Os meninos da Parte alta (2021).

Não

traçar linhas nos mares do teu corpo

enquanto te espero em Palmares

em meio à luz, o peso do não

que da proximidade do toque flores brotem

rios desaguem 

em turbilhões de girassóis nos jardins dos teus seios

que a primeira semente que nasça: seja amor

do broto que plantei em ti em meio ao silencio noturno 

que meu nome ecoe em teu peito antes do sono

eu vejo uma flor despertar em teu peito

para em seguida morrer:

com o peso do não 

de tantas noites que pensei em você

de tantos dias que o desejo ardeu 

dor-dor-dor

sentir o vento da tarde: ver imagens no céu 

andar na areia da praia

traçar novamente linhas em mares

estirar-me na cama e abrir o baú de memorias 

afogar-me em lagrimas 

muros se edificam entre nós

a grama diurna cresce, cresce lá fora 

enquanto canto tristes melodias no quarto 

enquanto sinto a ausência de estar com você 

“enquanto rezo pra um dia você me querer outra vez”.

OS MENINOS DA — PARTE ALTA

os meninos riem, choram e jogam

lá na praça da acauã sobre o chão de areia

sob o calor do verão

entre os ventos da tarde

os meninos correm, brincam e jogam

a bola vai de lá e pra cá pelo campo de terra

os risos eufônicos com a felicidade estampada em seus rostos

as memórias, as lembranças de hoje

lembro-me de minhas tardes na praça

caminhando pelas ruas do bairro

as fotos, os fumos da venda,

as conversas casuais com os amigos,

os dias que o vento levou e não trouxe

as memorias passadasa nostalgia desses dias que correm

hoje estou longe de lá,mas sinto saudades de meus dias na praça

quando mais novo, ia à pracinha jogar bola

via as árvores na calçada

sentia o que era ser jovem

os barulhos da mocidade

as quadras, as ruas, os becos

onde buscava liamba

hoje esses dias se foram há tempo

agora resta aos novos meninos continuarem meus dias na praça