Tiago Amaral

Tiago Amaral

Maceió, AL (1977)

BIO

Escritor de livro para infância e ilustrador. Formado em arquitetura (Ufal) em 2000, com experiência no campo do design gráfico editorial, atua como capista e programador visual. Desde 1998, produz textos infantojuvenis, desenvolve projetos de programação visual e realiza encontros literários em escolas das redes pública e particular. Ainda na universidade, foi estagiário na Editora da Ufal (Edufal), projetando o design gráfico – capas e ilustrações – de suas publicações, entre os anos de 1996 e 1998. Por duas vezes, foi vencedor do edital alagoano Coco de Roda da Imprensa Oficial Graciliano Ramos nos anos de 2012 e 2019, com os títulos O cavaleiro encarnado e a flor da craibeira e Carnaval sem fim. Participou dos projetos Trem das 10 – leitura a todo vapor (2010) e Ler é minha praia (2014).

ESCRITOS

LIVRO PARA INFÂNCIA

Filho de peixe peixinho não é

(1998 1ª ed.; 2009 2ª ed.; 2023 3ª ed.); 

Os segredos da mata (2010, em coautoria); 

A casa da reinação (2011 1ª ed.; 2023 2ª ed.); 

O cavaleiro encarnado e a flor de

craibeira (2012); 

Guerreiro de coração (2013); 

Carnaval sem fim (2019);  

Filha da lagoa (2024).

A casa da reinação, 2011

“Quando tudo se acalmou, a Vovó tentou animar os netos, levando-os até o Vovô. Tito e Lina estavam tristes por seus bonecos, mas também porque não faltava muito para irem embora. Então o Vovô lhes disse:

– Eu sei como é esse gostinho de querer mais.

Os irmãos se olharam e perguntaram juntos:

– O que o senhor tem?

– Corri muito por aí. Acho que corri tanto que fui mais rápido do que o tempo. Agora também estou saboreando esse mesmo gostinho...

[...]

Eles descobriram com seus velhos brinquedos que podiam ser e fazer o que quisessem, sem que nada nem ninguém lhes metesse medo. Assim, teriam tudo o que mais importava: uma vida cheia do que sentir falta.”

Guerreiro de coração, 2013

“Diante do Mestre, o rapaz e o homem começaram uma disputa digna das pelejas de violeiros nos alpendres do engenho. O rapaz não atacava, apenas desmentia os maldizeres do homem que o culpava por sua desgraça.

Luiz estava dividido. O rapaz o deixava livre para escolher qualquer lado, enquanto o homem usava sua história infeliz para jogá-lo contra o desafeto. Após algum tempo, o Mestre chegou a uma conclusão:

– Essa briga não tem vencedor.

O rapaz e o homem se calaram para ouvir o mais velho:

– Preciso do vento tanto quanto preciso da sombra, bem como do calor quando estou com frio e do frio quando estou com calor. Se eu tenho que fazer uma escolha, escolho aceitar os dois, pois ambos convivem dentro de mim como o açúcar e o queimor se misturam em cada pé de cana. A gente só precisa saber equilibrá-los. E isso não é fácil. É uma luta que travamos no coração.”