Simone Cavalcante

Simone Cavalcante

Maceió, AL (1976)

BIO

Escritora e produtora cultural. Simone Cavalcante de Almeida é graduada em Comunicação Social — Jornalismo, com mestrado em Estudos Literários (Ufal/AL) e doutorado em Design (UAM/SP). Foi uma das editoras e programadora visual das Edições Catavento, entre os anos 1999 e 2005. Escreveu, organizou e editou vários livros para crianças e adultos. Coordenou os projetos Trem das dez – leitura a todo vapor (BNB de Cultura); Audiolivro – encontro entre a memória e a imaginação (Funarte); e, pelo MINC, e Ler é minha praia – brincando com livros infantis e A vez e a voz da literatura infantil – o que pensam e escrevem seus autores, publicação financiada pela Funarte que reúne nomes da área de escrita e ilustração de várias partes do Brasil. Também participou da produção do projeto Festa literária ribeirinha – leitura no balanço das águas. Na área de TV e Cinema, produziu os programas Autoria e Caralâmpia e realizou a pesquisa e roteiro da obra seriada Na pegada do coco e a produção de Menina se quere vamo. Como produtora cultural, foi uma das coordenadoras do Curso de Produção Fábrica de Cultura, além de planejar e executar diversos projetos de formação e circulação artístico-cultural na Ufal. Escreveu o texto acadêmico Mar alto travessia pelo romance Calunga de Jorge de Lima (2009, em coautoria) e organizou e escreveu um texto no livro A vez e a voz da literatura infantil (2016).

ESCRITOS

LIVRO PARA INFÂNCIA

Bob no país das verdurinhas (1998 1ª ed.; 2009 2ª ed.;

2013 3ª ed.); 

A cultura alagoana para crianças (2000, em coautoria); 

Os segredos da mata (2010, em coautoria); 

Ventania e o mapa do tesouro

(2011 1ª ed.; 2017 2ª ed.); 

Sete histórias de amor e encantamento (2013, em coautoria); 

As cinco damas da condessa (2017); 

A fantástica sopa do Bob (2022). 

ENSAIO

Literatura em Alagoas (2005 1ª ed.; 2010 2ª e 3ª ed.;

2026 4ª ed.). 

Trecho de As cinco damas da Condessa

Uma carraca vinda da China chegou ao porto de Barcelona. A embarcação trazia toneladas de seda. O mascate Said já estava a postos para negociar uma parte da carga com os mercadores. Era preciso regressar sem demora para cumprir o trato feito com a Condessa. Ela já estava impaciente porque já se aproximava o momento escolhido pela Rainha Isabel para seu filho, o Príncipe João, casar.

Assim que Said entregou a encomenda, o castelo foi logo tomado de um vai e vem de tesouras. As meninas trabalhavam sob os cuidados de dona Leonor e também contavam com a ajuda de alguns criados. Os tecidos coloridos de seda eram cortados em moldes e, em seguida, alinhavados para a prova. Qualquer deslize na costura, a velha puxava do bolso a temida palmatória. 

Em cima de caixotes, Clara, Catarina, Inês, Beatrice e Joana provavam os vestidos cheios de saiotes, fitas e laçarotes. Para elas, toda aquela cena tinha gosto de brincadeira. No fundo, se comportavam como as bonecas de pano, sendo estofadas de algodão e manipuladas pela vontade dos outros.

A Condessa só entrou no salão, após o arremate no último vestido. Ela ficou encantada quando viu as meninas e logo percebeu, ao conferir seu Tratado das Damas Recatadas, que faltava algo, um toque de delicadeza. Pediu ao mordomo para trazer as pequenas caixas e delas retirou os cordões de esmeralda. “Que lindas estão!”.

Mas lá por dentro, bem no fundo do seu coração, Violeta sentia um aperto só de pensar que, para uma dessas meninas, a vida se tornaria tão pesada como um bolso cheio de pedras. Assim como se passou com ela até a morte do Conde, seu marido. Como foi triste, aos dez anos de idade, ter de casar à força e se separar de suas bonecas!