Richard Plácido

Richard Plácido

Maceió, AL (1985)

BIO

Escritor, editor, performer, educador e produtor cultural. Doutorando em estudos literários (PPGLL/Ufal). Organizou, com Érika Santos, a coletânea QUEBRA: poesia negra mcz (Editora Philos, 2020), financiada via edital do Sintietfal. É editor do selo independente multiplataforma Loitxa Lab e foi livreiro na Novo Jardim Livraria e Café.

ESCRITOS

POESIA

Entre ratos e outras máquinas

orgânicas (2015); 

A festa do rouxinol (2021); 

QUEBRA: poesia negra mcz (2021, org. Érika Santos e Richard Plácido); 

Homem-gaveta (2024).

CENTRO

daqui de cima

me sinto um estrangeiro

de qualquer lugar

dizem que todo centro é igual

ratos prédios iluminação amarela

ladeira cortejando igreja

árvores ingerindo poeira motorizada

antigos sinos

erguidos aos lados

novos prédios

sinal aberto

fechado

monumentos lacrados

o centro é 

cheio de fachadas

HOMEM-GAVETA

naquele dia

tudo que eu queria ter era um livro de regras

ler quarenta páginas e não entender

de onde surgiram as mágoas

de onde vieram os vazios

e as cervejas que ninguém quis beber

toda a casa escura 

toda a gente morta tocando seu ombro direito

quando nos conhecemos era tarde

marcamos um café

mas não tomo mais café

sofro de insônia e me mexo na cama a noite inteira

ali não havia esperança alguma 

e hoje mesmo com todas as angústias que ambos sofrem

escorregamos nossos corpos e equilibramos nossa alma

uma barata rói meu dedão esquerdo

não sinto dor

é um afago

é a silhueta de um cometa caindo sobre a terra

uma espiral um dorso uma visão de futuro

a dona da noite me abraça

e jamais verei novamente a luz