Ricardo Cabus

Ricardo Cabus

Maceió, AL (1964)

BIO

Poeta, escritor, tradutor, produtor cultural, recitador, roteirista e professor. Possui formação em Engenharia Civil, PhD em Arquitetura, mestre em Engenharia Civil e especialista em Computação. Trabalha como professor titular na Ufal, realizando palestras, pesquisas científicas e desenvolvimento de softwares. É membro da Comissão Internacional de Iluminação (CIE) e bolsista de desenvolvimento tecnológico do CNPq. É revisor em diversas revistas científicas nacionais e internacionais. Participou do livro Alagoas em Cena e da coletânea Poesia das Alagoas. Tradutor de poesias e parceiro em composições musicais como letrista. Na produção cultural, criou e coordena o Minuto de Poesia na rádio Educativa FM desde 2009, bem como o sarau de poesias Papel no varal e recitais com diversos temas. Em 2013, criou o programa de entrevistas Um poeta na Berlinda. É presidente do Instituto Lumeeiro.

ESCRITOS

POESIA

Estações partidas (1994); 

Cacos inconexos (2010). 

LIVRO PARA INFÂNCIA

A galinha saudosa (2009).

E não me venha

E não me venha me chamar de brega

Eu não quero convertê-la

Só quero tê-la

Minha religião é o mar

Só quero que me carregue

e me entregue a planta da cidade

com suas moucas

e tuas locas

com suas ocas

e tuas toucas

Jogue a tranquilidade

e me deixe o caos

Aos incautos a paz

a mim a guerra

Errante cavaleiro do horizonte ocasional

Ocaso de um dia atroz

encoberto pelo paredão da dor

Acaso na mansidão tardia

e indesejável

E não me venha me chamar de louco

fique rouca e te penetrarei

só quero tê-la

minha religião é o mar

E os ladrilhos quebrados

rachados pelo tempo

não me levam a você

Você vem no vento

E se não atento

Te perco

Com você me sacio

E o vadio solitário desaparece no mar

Gangorra

Soube do cheiro pela árvore da praça

e pela escada de pedras musgosas

Eram tempos sombrios e ternos

Temia o cão

Tremia o chão enquanto tremeluziam 

folhas a caducar

Vento irado

Uma criança chora, berra, esperneia  

E a gangorra é meu mundo