Luciano José

Luciano José

Maceió, AL (1962)

BIO

Escritor de poesia, professor e pesquisador. Licenciado e especialista em Filosofia pela Ufal, é professor auxiliar de Filosofia da Uneal, Campus III. Autor de sete livros de poesia e dois livros sobre música popular brasileira, resultante de pesquisa. Publicou artigos acadêmicos e escreveu artigos jornalísticos. Atuou na peça teatral Pedaços de nós mesmos, de Lael Correia, e fez parte de algumas produções cinematográficas: Violando o esquecimento, de Bruno Fernandes e Mário Zeymsone; os curtas Sobre relógios, sonhos e liberdade, de Ailton da Costa, Os despejados e o saldo da guerra, de Mário Zeymson, e Semana Santa, de Cosme Rogério. Participou do projeto Palavra Mínima, junto com o cantor e compositor Júlio Uçá (2011), do Munguzá Cultural no museu Théo Brandão (2013), e da I Feira Literária de Arapiraca (Fliara), realizada na Praça Luiz Pereira Lima (2018). Montou os recitais As filhas de Lilith, com base na obra da poeta Cida Pedrosa (2012), Balada poética: a poesia nas canções da MPB (2014), República dos bananas (2016-2018) e Torquato Neto: o poeta que ligou o gás (2019). Foi entrevistado por Chico de Assis no programa Café com Poesia (2016), da TV Assembleia e participou da live do programa Nordeste enCantos culturais, pela TV Repensar (youtube), mediada pelo poeta e agitador cultural Valmir Jordão (2022).

ESCRITOS

POESIA

Intromissão do poema (2006); 

Grãos de versos (2007); 

V(e)ia poética (2009); 

Conta-gotas (2011); 

Horrores (2015); 

DesEncontro (2017); 

Minuídos (2020). 

BIOGRAFIA

Jacinto Silva: as canções (1ª e 2ª edições 2013, 3ª ed. 2021); 

Carlos Moura: todas as madrugadas em que me

fiz canção (2024).

BEIJO

Beijar o outro é tornar-se o rei do planeta cuspe. É divertido quando se beija por longo tempo e a baba escorre no canto da boca. Para alguns é frustrante, foi mais uma saliva que escapou da guerra de línguas. Aos que reclamam do beijo do seu companheiro, é simples: muda-se o língua-já. Há o chamado rolo compressor, onde se podem inverter as direções e criar também um importante clímax bucal, quando nossa língua toca a úvula da ama da, produzindo a sensação de termos alcançado um novo clitóris. Há momentos em que a fome aperta e às vezes beijamos na esperança de encontrar alguns resíduos alimentícios: pedacinhos de feijão, fiapos de carne... Outras vezes lutamos inutilmente contra quatro inimigos: cáries, cigarro, cebola, cabo de guarda-chuva. O beijo é legal! E para a sorte de todos, quase nunca pensamos nisso quando beijamos. 

HEART

Se o coração pudesse escolher, 

todo o mundo amanhã morreria. 

Bater sem receber cachê, sem parar, 

só para manter o prazer do outro existir, 

é imitar o marcador das horas. 

Quem escalou o bombeador escarlate 

para tão pesado destino 

era desprovido de senso emotivo, 

encarava tudo com indiferença, 

possuía da vida uma concepção ártica. 

Coração é para sangrar, 

bater fora da ordem, 

aguentar o tranco, 

pulsar em qualquer lugar, 

sem compromisso com o dono. 

Mas, ignorando qualquer regularidade, 

fraqueja em definitivo 

com a decadência do corpo 

e nem encontra tempo 

para reverter o processo.