Guilherme Ramos

Guilherme Ramos

Maceió, AL (1972)

BIO

Escritor de verso e prosa, compositor de trilhas sonoras e produtor cultural. Estudou no Colégio Sagrada Família, no bairro do Prado. Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Ufal (1999). Especialista em Gestão de Organizações Sociais pela UFS (2002), graduando em Letras/Língua Portuguesa/Bacharelado pela Estácio (2022). Realizou o curso de atualização em História da Arte pela UFPE e Gestão de Políticas Culturais pela Ufal. Atuou por mais de duas décadas na área de cultura do SESC/AL. Realizou críticas de espetáculos teatrais do projeto Teatro Deodoro é o Maior Barato, especialmente para o Jornal Gazeta de Alagoas (2014-2018). Foi Vice-Presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Maceió, representante da sociedade civil na área de Literatura, Livro e Leitura (gestão 2017-2019). Recebeu os prêmios Literários (Secult/AL): 3º lugar no I Concurso de Crônicas Ivone dos Santos (2016), com Intragável; menção honrosa no II Concurso de Contos Heliônia Ceres (2017), com F22.9; 2º lugar no V Concurso de Crônicas Ivone dos Santos (2022), com Moleskine; 2º lugar no II Concurso de Literatura Infantil (2022), com A menina e as pipas de papel; e classificação no Concurso Nádia Fernanda Maia Amorim – Publicações de Livros Inéditos (2023), com o texto Cinco, soturno.

ESCRITOS

POESIA 

Diversos (2005); 

Tente entender o que tento dizer (2018). 

CORDEL

Cordel dos jangadeiros (2025). 

CRÔNICA

Minha fúria e outros demônios (2016); 

Cinco, soturno (2024). 

CONTO

Farras fantásticas (2020, antologia). 

LIVRO PARA INFÂNCIA

Mateu errante, mateu brincante (2015); 

Estrela raivosa (2017); 

A menina e as pipas de papel (2024).

12 de Junho

Todos os dias ele a via. Devia estudar por ali.

Era sempre sandália de dedo, saia acima dos joelhos, blusa de alça fina no ombro. O cabelo, sempre penteado, impecável. Maquiagem discreta, como quem não quer chamar atenção.

Mas chamava. A dele.

Foi então que o destino (ou seja lá o que for) deu “uma forcinha”. Por um descuido, uma pedra no meio do caminho, ela perdeu o equilíbrio. Sua reação foi rápida – boas pernas – não caiu. Mas seus livros, bolsa e demais “etceteras” foram abaixo. Uma ótima oportunidade para ele que, num gesto rápido, correu ao seu auxílio.

– Posso ajudar? – perguntou docemente e, mesmo sem uma resposta dela, partiu para recolher o que estava espalhado.

Ela não respondeu. Ficou impressionada com a gentileza do rapaz, coisa incomum, nos dias de hoje. Mas deu um sorriso. E que sorriso.

Ele foi realmente rápido. Em poucos segundos estava de pé, frente a frente dela, com tudo arrumado e limpo.

Os dois se olharam por segundos, em silêncio, até que ela resolveu quebrar o impasse.

– Obrigada. Não sei como posso agradecer.

– Me dá seu telefone.

Ela riu. Arrancou um pedacinho de papel de seu caderno, pegou uma caneta bem colorida e anotou os oito dígitos tão desejados. Entregou.

Ele também deu uma risadinha.

– Você não entendeu. Eu quero o celular. E a bolsa também. Isso é um assalto.

Nudez

Tinha vergonha de andar nua

Na frente de seu gato.

Angorá. Siamês. 

Não sabia bem.

Bem podia ser vira-lata.

Não entendia nada de gatos.

Mas de nudez.