CASA RAMALHO

 

A Casa Ramalho abriu suas portas, em 1914, na Rua do Comércio, n. 21, no Centro de Maceió. A iniciativa vinha como desdobramento da longa jornada de experiências de seu proprietário, o livreiro, tipógrafo e editor Manoel Joaquim Ramalho, que esteve à frente dos projetos do Bazar Enciclopédico (1893) e da Livraria e Tipografia Comercial (1901). Em pouco tempo, o estabelecimento se transformou numa referência na edição, impressão e circulação de livros.

Sua sede abrigava uma oficina tipográfica, um salão de leitura e um espaço de comercialização de livros nacionais e estrangeiros de literatura e conhecimentos gerais. Havia também a oferta de livros para cursos primário, normal, ginasial e superior e a comercialização de jornais, como a publicação humorística A coisa, de Pedro Nunes.

No espaço da livraria circulavam obras de autores nordestinos que se tornaram referências no Modernismo e no Romance de 30 no Brasil. Em suas estantes altas e fechadas, a Casa Ramalho comercializava  os livros Vidas secas (1938), de Graciliano Ramos, A túnica inconsútil (1938), de Jorge de Lima, Bangue e Menino de engenho, de José Lins do Rego.

Em 1938, Manoel Ramalho dá uma guinada na linha editorial de seu projeto com o lançamento da Coleção de autores alagoanos dedicada a temas da cultura e folclore e de vários livros avulsos. A novidade editorial foi bem recebida pela crítica local, como se pode ver na edição da Gazeta de Alagoas, de 15 de julho de 1938: "O que a Cia. Editora Nacional fez com a sua notável Brasiliana, o que José Olympio vem realizando com os Documentos brasileiros, etc, a nossa editora pretende fazer com a sua Coleção de autores alagoanos”.

Os 11 títulos publicados na Coleção tratavam de assuntos como literatura, história, direito e política, entre os quais se destacam: Açúcar & algodão, de Humberto Bastos, Crônicas alagoanas, de Alfredo Brandão, e Folclore de Alagoas, de Théo Brandão.

Fora da coleção, a Casa Ramalho também editou os livros avulsos Liberalismo econômico e o proletariado, do escritor baiano Alexandre Machado, Estudos da literatura brasileira, de Jayme de Altavilla, Álgebra, de Manoel Vasconcellos, e Amazônia, de Manoel Onofre de Andrade. Além disso, pôs em circulação, de 1938 a 1939, os cinco números da Revista Alagoas - mensário ilustrado sobre assuntos de ciência, arte e literatura. O primeiro número da revista esgotou horas depois de lançada.