Érika Santos

Érika Santos

Maceió, AL (1995)

BIO

Pesquisadora em Literatura e Linguística, Produtora cultural e poeta. Érika da Silva Santos é graduada em Letras pela FALE (Faculdade de Letras / Ufal), publicou três livros de poemas. Seus textos também circulam em diversas revistas, no Brasil, na Argentina e em Portugal. À frente da Livraria Novo Jardim, fez a coordenadoria de curadorias de livros e eventos que fomentam a cena literária independente em Alagoas. Assina textos para obras literárias e ensaios. No audiovisual, realizou curadorias e críticas cinematográficas, desenvolveu videopoemas, como Cavalo (2022) e Infarto Inferno (2022), além de roteiros para o curta Erê (2024) e Feira de Ibateguara (2024). Em 2021, foi vencedora do concurso Poesia & Utopia, pela Faculdade de Artes, Letras e Comunicação da UFMG. Em 2025, recebeu o prêmio de reconhecimento Mulheres que escrevem Alagoas, promovido pela Secult- AL.

ESCRITOS

POESIA 

Procurar o mar é exercício noturno (2022); 

Flores floresta (2024); 

Esconjuro (2025).

a grécia do silêncio

amar para sempre as crianças levadas pelo arco-íris

as crianças durante a fronteira de partição cósmica

entre infinitas amoreiras

cobrindo cada vez mais prédios

cobrindo cada vez mais prédios

amar a minha morte e esperar por ela

feito quem sabe o raro momento em que

uma imagem toma o corpo e com ele dorme

e com ele faz filhos

amar para sempre a magia de uma onça pintada na pele

e vê-la sucumbir a viver todos os dias sozinha

lírio adormecido

para Yukio Mishima

naquela tarde você levantou de sobressalto

fez de sua face a minha face

rogou ao sonho para que seu nome fosse o meu nome

ao habitar o corpo pagão, o corpo de cisne, desnudo

tudo se fez presente

a palavra árvore seu leito futuro

o lenço branco envolto em meu ventre

para forrar-lhe o sexo

também um lenço para atar-lhe as mãos

afasto-me de sua presença, lentamente

feito uma criança andando de costas

agora, sob vista panorâmica, fito seu molde por completo

contemplo seu olhar altivo, destemido, inerte à morte

um verdadeiro poeta de dias comuns

você me olha e eu disparo as duas flechas

defronte ao seu peito

você sorri e eu guardo o segredo

do nosso brinquedo inesgotável

como se fosse a palavra um pedido

como se fosse a palavra o único modo

de morrermos juntos mais uma vez