Carol Mesquita

Carol Mesquita

Maceió, AL (1995)

BIO

Autora de textos em prosa, pesquisadora e oficineira. Possui formação em Pedagogia pela Ufal e cursa Doutorado em Educação pela UFPE. Desde 2022, atua na produção literária a partir da escrita em prosa. Participou de palestras e rodas de conversa sobre escrita, literatura e protagonismo feminino com autoras alagoanas; realizou oficinas de escrita literária para as escolas públicas e concedeu várias entrevistas em revistas e jornais locais, a fim de difundir suas produções literárias.

ESCRITOS

ROMANCE

Os velhos dias (2023); 

O subsolo das lágrimas (2024). 

CONTO

O relógio dos fios brancos (2024).

O relógio dos fios brancos

Nunca esqueci do quanto eu rodeava em volta das suas pernas, sentindo a pele áspera, fugindo dos castigos de uma mãe feroz. Ela queria bater e retirar de todo o meu ser as travessuras. Você sempre me protegeu, sempre prezou pela minha liberdade, nunca deixou de ensinar o preço que pagou quando era criança para que eu fosse livre, “deixe a menina, ela não fez nada”. Não havia concordâncias. “Você passa demais a mão na cabeça dessa menina”, repreendia a minha mãe, com aquele tom de santa e intocável. 

O subsolo das lágrimas

Helena estava fazendo as tristes contas do mês, separando o dinheiro da feira, do gás, da água e da energia, vendo a palavra “nada” rondar todo mês a sua casa e os pensamentos, sem esperança de sobrar um tostão sequer nem para o lazer, nem para a compra de um vestido que desejava tanto ao ver as atrizes vestidas na TV.

Enquanto tomava um gole de café, odiava a sua existência e olhava o neto brincar com os brinquedos de plásticos desgastados, Helena sentiu tremer o chão, não o chão da classe social em que vivia, mas o chão que sustentava seus móveis velhos e pés cansados.

Os velhos dias

Quando me lembro de Antônio, não consigo evitar o riso, ao recordar a sua personalidade e do quanto ele era valente. Mas após o riso, vêm sempre as lágrimas e a tristeza de saber que perdi o meu irmão. A saudade acaba comigo quando me vêm à mente os dias de luta e aventura da juventude que vivemos. Quando me lembro de Antônio, recordo-me também da minha mãe Ana, e me questiono: quantas vezes ainda enfrentarei o luto? Quantas vidas vão embora da minha vida, até que só reste eu dentre meus familiares e amigos? Por quantos lutos será que Antônio passou? E Bele? E por quantos lutos eu passarei ainda?