Ciro Veras

Ciro Veras

Maceió, AL (1959)

BIO

Poeta, cordelista e compositor. Escreve poesias desde os quatorze anos de idade e, a partir de 2016, descobriu-se um cordelista. É um defensor do cordel feito nos moldes dos grandes clássicos do gênero, ou seja, narrativas de preferência longas, nas quais são respeitados os padrões de métrica, rima e oração do cordel brasileiro. É um dos fundadores da Confraria: nós, poetas, grupo literário com atuação em Alagoas. Na Confraria, participou de vários recitais, dentre os quais os Recitais Literários do SESC, da Secult-AL e de inúmeros eventos promovidos pela própria Confraria, desde o ano de 2015. É Cofundador da Academia Alagoana de Literatura de Cordel (AALC), onde é sócio efetivo e foi seu primeiro presidente, durante três anos (dois mandatos). Participa ativamente como representante do Cordel das Alagoas, na Federação das Organizações da Cultura Popular e do Artesanato de Alagoas (Focuarte). É sócio honorário na Academia Maceioense de Letras e membro efetivo da Academia Biblioteca Mundial de Letras y Poesías (ABMLP). Participou das edições 2015, 2017, 2019 e 2023 da Bienal Internacional do Livro de Alagoas e do 12º e 13º Encontro dos escritores Alagoanos em Pilar, nos anos de 2023 e 2024, respectivamente.

ESCRITOS

CORDEL 

A incrível viagem de Alexandra e Ciro à Florianópolis (2016); 

Confraria nós poetas dois anos de

poesia ( 2017); 

Uma infância feliz às margens do sótão mal assombrado (2017); 

O homem que mijava sentado (2017); 

O capeta a prostituta e a poesia (2018); 

Drogas aprisionam abraços libertam (2019); 

Gael dois anos (2019); 

O ABC de um grande amor (2020); 

Os amigos diferentes (2021); 

Duelo de egos inflados (2021); 

Tragédia em Maceió as toupeiras de aço da Braskem (2022); 

Alagoas e Sergipe são vizinhos

irmanados (2023).

SONHO MATUTO

Da minha varanda espio

Satisfeito, a plantação.

O verde dela convida

A conhecer meu rincão.

Alface, cebola, couve

E o barulho que se ouve, 

Das águas do Riachão!

Uma vaquinha no pasto

Garante leite fresquinho.

Um beija-flor “avoando” 

Constrói o seu belo ninho

Devagar, sem desespero, 

Arquiteta com esmero, 

Cuidando do seu filhinho.

Gansos, patos e galinhas

Vivem soltos no terreiro.

Meu transporte é um jumento

Bicho manhoso e arteiro.

Um cachorro vira-lata, 

Guardião de toda a mata

Sempre atento e bem ligeiro.

A terra bem adubada, 

Tudo foi plantado à mão.

Os calos são testemunhas

Da força ao arar o chão

Com ancinho, foice e enxada, 

Tenho tudo em quase nada, 

A riqueza é o coração.

Ao redor desse meu sítio

Floresce robusta mata

Onde corre o Riachão

Que forma linda cascata.

Muitos peixes pra pescar

E assim com Deus celebrar 

A mesa farta e barata.

Uma rede pra dormir, 

Uma cama para o amor, 

Companheira sempre a postos

É do meu jardim a flor

Que mais admiro e amo, 

Toda vez que eu a chamo

Ela me traz seu calor.

Tudo isso é só um sonho

Que carrego no meu peito.

Quero terminar meus dias

Vivendo assim desse jeito.

Muita paz no coração, 

Vivendo nesse torrão 

Seria tudo perfeito!

TOC PP (TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO PELA POESIA)

Sofro de um transtorno inato

Que me aprisiona em si

Compulsivo, compulsório

Súplicas a Deus pedi

Pra livrar-me desse mal

Desse vício tão brutal

Toda noção já perdi!

As letras vão invadindo

A caneta me atropela

Sentimentos vão deixando 

O pensamento em procela

Confusão se estabelece

E um verso se “compadece”

Chutando a minha costela!

As dores que sinto aqui

Não desejo pra ninguém 

Poeta é ser solitário

Não consegue um alguém 

Para viver ao seu lado

Aturando o seu legado

Que o povo vê com desdém.

Não posso ver um papel

Ou mesmo um bloco de nota

Que me dano a escrever

Feito um doido, um idiota

Perco o sono e o tarja preta

Tiro logo da gaveta

Dose dupla é minha cota.

Quando penso estar melhor

Ou mesmo que estou curado

Vem o cordel me atiçar

Me deixando embriagado

Começo logo a rimar,

Elidir, metrificar

Me tornando um condenado

A viver nesse martírio 

Dos versos em medição 

Já dizem que estou maluco

Que o cordel é perdição 

Que Poeta é passarinho

Que abandona o seu ninho

Pra viver num alçapão!

Mas no final eu me sinto

Totalmente embevecido

Nessa madrugada fria

Me acordei enrijecido

Nesse gozo permanente

Este Poeta se sente

Cansado mas, comovido!

05/07/2024